sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Jungmann avisa que não é intervenção militar, mas intervenção federal no Rio

Estadão Conteúdo

Depois do anúncio oficial da decretação da intervenção federal no Rio de Janeiro, assinado pelo presidente da República, Michel Temer, uma outra reunião para discutir os próximos passos neste trabalho a ser executado no Estado está sendo realizada no Gabinete de Segurança Institucional, do general Sérgio Etchegoyen, com a presença do ministro da Defesa, Raul Jungmann, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas e o comandante Militar do Leste, Braga Netto, nomeado interventor. Nenhuma medida será anunciada após a reunião por se tratar apenas de organização de trabalho.
O ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse ao jornal O Estado de S. Paulo que causou preocupação a interpretação de que está sendo realizada no Rio de Janeiro uma intervenção militar.
“Não é intervenção militar. Nunca passou isso pela nossa cabeça. É uma intervenção federal, na qual o interventor é um general”, declarou o ministro, explicando que, quando começaram as discussões, se pensou, inicialmente, em nomear um interventor civil e dois ou três sub-interventores militares nas polícias militar e civil e setor de carceragem.
Mas, depois das inúmeras conversas, justificou, entenderam que “não seria funcional” tantas pessoas com estas coordenações e optou-se por nomear o general Braga Netto, que já está no Rio de Janeiro e conhece a realidade da cidade, para ser o administrador desta intervenção.
“Não tenho dúvidas de que a medida terá amplo apoio da população”, afirmou Jungmann. Segundo ele, “todos queriam isso e as pessoas, no Rio, estavam se sentindo reféns”. O ministro lembrou que a situação do Rio veio se agravando e deteriorando e acabou-se tendo que optar por esse caminho. “Achamos que apenas a decretação da Garantia da Lei e da Ordem seria suficiente, mas não foi”, disse ele, acentuando que a necessidade de medidas adicionais acabaram se impondo”.
O comandante do Exército, general Villas Bôas, também rejeitou a afirmação que ouviu de que o governo decretou uma intervenção militar no Rio. “Não é intervenção militar. É intervenção federal. Não é o Exército que está assumindo o controle do Rio”, afirmou o general à reportagem, ao acrescentar que “o momento é de crise e em momentos de crise é preciso que haja convergência de todos, da população inclusive, para ajudar a resolver os problemas”.
Com a decretação da intervenção, não há interferência do Exército no Estado do Rio. O general Braga Netto irá comandar a área de segurança pública e as Forças Armadas serão chamadas quando houver necessidade de atuação conjunta. O ministro da Defesa explicou que, como interventor, Braga Netto terá poder para nomear, demitir, reestruturar e o que mais entender ser necessário, na área de segurança pública e apenas na área de segurança do Rio de Janeiro. A questão orçamentária e política continua sendo administrada pelo governador Luiz Fernando Pezão.

Previdência
Segundo o ministro Jungmann, quando o governo for votar a reforma da Previdência, haverá revogação do decreto de intervenção. Neste momento, o presidente Michel Temer assinará uma ação de Garantia da Lei e da Ordem com toda a amplitude, onde o comando das ações passará às Forças Armadas.
Como o comando, neste momento, estará totalmente integrado, a avaliação é de que não haverá descontinuidade da atuação.
ISTO É/montedo.com

‘Há muita mídia’, diz general que vai comandar segurança do Rio

‘Há muita mídia’, diz interventor que vai comandar segurança do Rio

Estadão Conteúdo
Crédito: Divulgação/ Exército Brasileiro
O Comandante do Comando Militar do Leste,
general Walter Braga Netto
(Crédito: Divulgação/ Exército Brasileiro)
Nomeado interventor na segurança pública do Rio de Janeiro, o general Walter Braga Netto, afirmou que a situação da violência no Estado não está tão ruim. Ao ser questionado nesta sexta-feira, 16, no Palácio do Planalto, respondeu haver “muita mídia” em cima do assunto.
Braga Netto pouco falou na entrevista concedida no Palácio do Planalto, ao lado dos ministros do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Sérgio Etchegoyen, e da Defesa, Raul Jungmann, justificando que tinha “acabado de receber a missão”, que ainda “estava em fase de planejamento” e por isso não poderia adiantar nada sobre como será desenvolvido o trabalho. Questionado pela reportagem após a declaração, o general disse que “a situação do Rio é grave, mas não está fora de controle”.
O Decreto Presidencial que formaliza a intervenção federal no Estado do Rio de Janeiro foi publicado em edição extraordinária do Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira. O ato tem como objetivo “pôr termo ao grave comprometimento da ordem Pública no Estado do Rio de Janeiro”. Pelo texto, a intervenção se dará até o dia 31 de dezembro de 2018 e se limita à área de segurança pública.
Fonte > ISTO É/montedo.com

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

General Santos Cruz: "Não se faz segurança pública com Forças Armadas."

A polícia paga pela deterioração de todas as áreas

Resultado de imagem para general santos cruz isto é
General Santos Cruz (Givaldo Barbosa - O Globo)
André Vargas
O general de divisão Carlos Alberto dos Santos Cruz, 65 anos, deixou a farda, mas não a batalha. Secretário Nacional de Segurança Pública desde abril do ano passado, ele tem a missão de criar estratégias para combater o crime e integrar as ações de todas as forças de segurança do País de modo a deter a criminalidade desenfreada. Mesmo diante desse desafio, ele acredita que com inteligência, investimento, treinamento e mudanças nas leis será possível reduzir a violência que mata mais de 60 mil pessoas por ano, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Designado comandante das tropas da ONU na República Democrática do Congo, o general Cruz já enfrentou e venceu rebeldes em um cenário hostil. Para ele, porém, nem mesmo todo o planejamento e recursos do mundo trarão segurança aos brasileiros se não houver “liderança política para erguer essa bandeira”, como ele afirma na entrevista a seguir.

Qual a razão da letalidade fora de controle no Brasil?
É uma deterioração social. O crime vulgarizou a violência. É algo que vem de longo tempo e que piorou com as organizações criminosas. As disputas de facções por controle do comércio de drogas e outras atividades nos leva ao nível da barbárie. Tudo isso é resultado da ausência e do atraso do poder do Estado em se adaptar a essa nova situação.

A criação de uma força nacional de intervenção permanente no Rio de Janeiro traria vantagens no combate ao crime e à entrada de armas ilegais na cidade?
Não acho que solução seja essa. Temos é que estruturar os órgãos existentes. Temos que aperfeiçoar, treinar, equipar e prover de tecnologia [as polícias], assim como acertar a legislação. É preciso uma cruzada das instituições, com Judiciário e ministérios públicos. Essas instituições também precisam tomar medidas abertas contra o crime. Junto com tudo isso é preciso lideranças em nível político que ergam essa bandeira.

O senhor defende que os estados adotem políticas segurança de acordo com suas realidades locais. No que diferem os problemas, por exemplo, de São Paulo e do Rio? Ou do Amazonas e do Rio Grande do Norte?
Cada estado tem suas particularidades, seja pelo tipo de crime ou pela capacidade das polícias. O investimento em São Paulo é grande e muitos índices estão caindo. No Amazonas, que é um estado fronteiriço, o transporte fluvial e o controle de fronteiras e espaço aéreo exige outras soluções. O importante é que junto exista uma política de coordenação nacional e que todos os órgãos estejam integrados.

"O ex-governador Sérgio Cabral está preso
 por que havia corrupção e crime organizado
em nível governamental para pegar dinheiro
de dentro das instituições públicas."

São Paulo conseguiu reduzir os índices de homicídios. Pernambuco também, entre 2006 e 2013, mas depois os assassinatos voltaram com força. O que ocorreu?
É uma situação alarmante não só em Pernambuco, mas no Nordeste todo. Esses estados não estavam preparados para a expansão do crime organizado, que migrou para lá a fim de explorar as fragilidades existentes por meio de alianças com facções locais. O Nordeste precisa passar por esta fase de adaptação, o que exige uma política nacional. Hoje os estados não conseguem sozinhos fazer todo o financiamento da segurança pública.

O senhor afirma que os estados não aplicam parte dos recursos que recebem. Como evitar esse erro?
Algumas vezes existe retardo na aplicação de recursos. Acredito que isso se deve a diferentes razões. Algumas vezes troca-se o governo ou o secretário, outras vezes, falta conhecimento técnico para aplicar o recurso. Alguns projetos estão parados. Na área penitenciária, entre 2016 e 2017, cerca de R$ 1,2 bilhão ficaram sem uso.

Onde os recursos devem ser investidos? Construir mais presídios não é uma medida ineficaz, já que as facções dominam as prisões?
Se os presídios estivessem funcionando bem, até concordaria com essa ideia. Mas não estamos em uma situação aceitável. Precisamos de um sistema penitenciário que funcione dentro dos padrões aceitos pela dignidade humana. Nesse momento temos grandes deficiências, começando pelas delegacias e casas de detenção, onde temos pouca coisa funcionando bem.

Uma política de segurança pública deve combinar inteligência, tecnologia, treinamento e equipamentos. O que é mais urgente no Brasil atual?
Alguns pontos são fundamentais. Em primeiro lugar é preciso atuar ao mesmo tempo em prevenção e repressão. Outro item é integração, não só em caráter financeiro. Integração significa participação de União, estados e municípios, coordenação, pois os limites do crime hoje são interestaduais e internacionais, além de inteligência e tecnologia. Hoje a integração da base de dados criminais é fundamental para identificação. Senão, o criminoso cruza uma divisa e o outro estado não tem acesso [aos dados]. A tecnologia também passa pelo banco de perfis genéticos, o que facilitaria em muito a identificação criminal. A palavra integração é fundamental. Hoje, dezesseis estados estão colocando seus dados no Sinesp, que é o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública. Com isso, será possível descobrir se um indivíduo pego numa blitz é procurado pela polícia de outro estado. O mesmo precisa ser feito com uma arma apreendida. Às vezes, ela foi usada em outros crimes. Tudo isso precisa ser centralizado. Nosso nível ainda é muito deficiente. Tem que melhorar.

O aumento da população carcerária não serve apenas para alimentar as facções criminosas?
O problema não é prender muito ou não. O problema é prender quem precisa ser preso. E que o criminoso de fato cumpra a pena. Temos um problema sério de execução penal, com condenados que integram o crime organizado ficando pouco tempo na cadeia. Há o caso da pessoa [Suzane Richthoffen] que matou os pais e foi liberada no Dia dos Pais. Pode ser legal, mas agride a sociedade pela sensação de impunidade que gera.

A corrupção em presídios e nas polícias não seria o maior obstáculo? Alguns dos grandes líderes das facções seguem presos e comandando seus negócios.
É o problema da execução penal. O sistema carcerário deveria funcionar. A corrupção não afeta só as prisões. Ela atinge a sociedade em geral, como um câncer. Um ex-governador está preso [Sérgio Cabral]. Qual a razão da prisão? Havia corrupção e crime organizado em nível governamental para pegar dinheiro de dentro das instituições públicas. A penalização precisa começar por cima. O Brasil precisa de exemplos.

Em Natal, a presença da Força Nacional durante a greve das polícias não afetou a média de homicídios do período anterior. O que houve?
A Força Nacional tem em torno de 2,1 mil homens. Desse efetivo, temos 600 homens no Rio de Janeiro e 500 no Pará. Enviamos entre 170 e 200 homens para Natal. Com esse efetivo, só reforçamos alguns pontos críticos e de grandes concentrações naquela capital, como zonas comerciais e rodoviária. Foi uma situação de emergência.

Existe alguma forma de minimizar a morte de PMs?
Os números são inaceitáveis para qualquer sociedade civilizada. O policial representa a legislação que estrutura a sociedade. O policial [fora de serviço], quando identificado, é morto. Para resolver, só com autoridades e instituições fortes. A legislação precisa ser alterada, o judiciário precisa se envolver na execução e na aplicação das leis. A polícia paga o preço de uma deterioração de todas as demais áreas.

Controlar a entrada de armas e drogas pelas fronteiras é uma missão impossível? O que é necessário para amenizar o problema?
Não. Estamos fazendo muita coisa. Em junho, quando começamos a implementar algumas medidas no Rio de Janeiro, ao mesmo tempo fizemos ações ao longo de nossas fronteiras terrestres, por onde passam grande parte das drogas e armas. Também atuamos nos eixos que vêm dos estados do Sul e do Mato Grosso do Sul, chegando ao Rio por quatro grandes rodovias federais. É possível vigiar as fronteiras sim. Para tanto é preciso integração. Fizemos levantamentos em dezesseis pontos. A Polícia Rodoviária Federal, junto com a PF, Força Nacional e as polícias estaduais, tem a Operação Égide, que apoia as ações no Rio. Desde 10 de julho foram detidas 11,2 mil pessoas, 4 toneladas de cocaína e crack foram apreendidas, junto com 775 armas de fogo e 126 mil cartuchos de munição, além da recuperação de 2,5 mil veículos roubados. Mesmo assim, há necessidade de fechar mais as nossas fronteiras.

O que falta para essas ações serem mais eficientes?
Precisamos melhorar a tecnologia básica. Mais estrutura física, veículos, embarcações, treinamento, armamentos, munições. Também é preciso alguma estrutura mais avançada, como a parte de instrumentos óticos, scanners e integração da base de dados. Por exemplo: tivemos um mesmo veículo passando sete vezes pela fronteira só no percurso de vinda, sem fazer o de volta. Com tecnologia conseguimos capturar o sujeito, que fazia um grande transporte de armamentos e munições. Ele entrava no país com o carro e voltava por um caminho diferente usando outra placa. Para detectar esse movimento foi preciso investir em um sistema de vigilância, pois são milhares de veículos todos os dias nas fronteiras. Felizmente nós temos isso e estamos obtendo bons resultados.

As Forças Armadas devem invadir áreas controladas pela criminalidade e enfrentá-la?
Não se faz segurança pública com Forças Armadas. Só em caráter emergencial ou excepcional. Elas estão completamente aptas a fazer esse trabalho quando o confronto é de alta intensidade. Essa é a minha experiência internacional. Porém, a geografia do Rio de Janeiro e a maneira descuidada, quase irresponsável, como deixaram a cidade, sem planejamento urbano em algumas comunidades, aumenta em muito as chances de danos paralelos sobre uma população inocente, que sofre privações de toda ordem, principalmente na mão de bandidos. Isso tem que ser levado em consideração. Um confronto sempre será vencido pelas Forças Armadas. Não há grupo criminoso que vá impedir. O problema é proteger a população.

Fonte > ISTO É/montedo.com

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Planilha de Gastos - Aprenda Fazer + Donwload Sua Planilha de Gastos + Download


Saiba Mais Aqui 👉 http://mon.net.br/1pf6b Planilha de Gastos, Baixe Construa e sua planilha de gastos do zero, passo a passo, sem complicações. Vamos apresentar todos os meses nessa planilha de gastos, com suas despesas e rendimentos, uma planilha como essa vai lhe ajudar a manter as suas finanças pessoais em dia. Aprenda agora mesmo a elaborar sua planilha de gastos, sem complicações, estou disponibilizando o download dessa planilha de gastos, fique a vontade para compartilhar. Fanpage https://www.facebook.com/excelrafaell/ Youtube http://bit.ly/LinkFrontYtube

Emprego das Forças Armadas em ações que as desviam de suas funções é um grande risco


O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, voltou a tratar do problema do uso cada vez mais frequente das Forças Armadas em operações de segurança pública, o que demonstra a importância que os militares lhe dão e o tamanho da preocupação que ele acarreta. Foram duas manifestações em apenas duas semanas.
Desta vez, em entrevista a Tânia Monteiro, publicada pelo Estado, ele se estendeu mais sobre a questão – de forma clara e direta –, apontando os perigos que essas ações representam para a instituição, com a agravante de que não resolvem o problema.
Antes, em mensagem divulgada no Twitter dia 30 de dezembro passado, a ênfase foi na repetição das ações para Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Agora, um dos pontos principais é o que se refere ao risco de “contaminação das instituições” pelo crime organizado, que vai da sua interferência no processo político – com a colocação de pessoas ligadas à delinquência, ou mesmo chefes de quadrilhas, em cargos públicos importantes – à cooptação de pessoal das tropas empregadas naquelas ações.
Segundo o general Villas Bôas, o fato de “as facções criminosas do Rio e de São Paulo” se estenderem para outros Estados e sua relação com o narcotráfico em nível internacional dão-lhe uma força que aumenta muito aquela capacidade de contaminação.
Nesse caso, o comandante do Exército vai direto ao que interessa aos militares: “Há preocupação de contaminação das tropas, e por isso queremos evitar o uso frequente das Forças Armadas”.
Para comprovar que esse temor tem bases concretas, cita o que chama de “desvios” de integrantes das tropas em ação no Rio, registrados recentemente: “Foram pontuais, restritos a um ou outro indivíduo, de nível hierárquico baixo. Está infinitamente distante de representar um problema sistêmico ou institucional. Mas temos preocupação e estamos permanentemente atentos”.
É justamente porque o problema ainda não é grave, mas certamente virá a sê-lo, que é agora o momento certo de agir para evitar o pior. E a mais do que sabida capacidade de corrupção e cooptação do crime organizado, em especial o narcotráfico que movimenta somas fabulosas de dinheiro, justifica plenamente os temores expressos pelo general Villas Bôas.
Os exemplos dos cartéis da droga da América Latina, cujo poder de corrupção pode atingir todas as instituições do Estado, não deixam dúvida sobre isso.
Quanto à origem do problema da segurança pública, o comandante do Exército repete aquilo que todo mundo sabe, e há muito tempo: “Tem havido negligência em relação à segurança pública em grande parte dos Estados”. Uma negligência que persiste – pode-se acrescentar – mesmo com o agravamento constante da situação, o que demonstra o descaso das autoridades estaduais.
É como se, em vez de reagir ao perigo, elas preferissem a solução fácil de transferir o problema para o governo federal, por meio da utilização das Forças Armadas.
E o pior é que isso não resolve nada, pois “o simples emprego das Forças Armadas não tem capacidade, por si só, de solucionar os problemas de segurança pública que estamos vivendo”. Como se isso não bastasse, há um outro componente a ser levado em conta nessa questão e cujo risco não se deve menosprezar.
“Há preocupação de uso político das Forças Armadas com a proximidade das eleições, porque governos, não querendo sofrer desgastes políticos com a população e em determinadas situações por comodidade, solicitam intervenção federal”, afirma o comandante do Exército.
Em resumo, além do emprego das Forças Armadas em ações que as desviam de suas funções, e que por isso só se justificam excepcionalmente, e do risco de sua contaminação pelo crime organizado, há ainda a real possibilidade de seu uso político.
São demasiados riscos, que podem acarretar consequências nefastas para sua missão de defender a soberania nacional e garantir os poderes constitucionais. Daí a necessidade de ouvir com muita atenção a advertência do general Villas Bôas.

Uso em excesso das Forças Armadas preocupa autoridades¹
Recentemente, o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior, solicitou o apoio das Forças Armadas para conter possíveis manifestações violentas que possam ocorrer no dia do julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, marcado para o dia 24 de janeiro, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região.
Além de esse pedido não ser viável, visto que tal decisão não cabe ao chefe do Executivo municipal, a solicitação causou desconforto no comando do Exército Brasileiro, que considera que ocorre uma "banalização" do uso das Forças Armadas no País.
O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, chegou a se manifestar no Twitter sobre o assunto, mostrando-se preocupado com o "constante emprego do Exército" em "intervenções" nos estados.
Ele destacou que, só no Rio Grande do Norte, as Forças Armadas foram chamadas três vezes em 18 meses. "A segurança pública precisa ser tratada pelos estados como prioridade "zero". Os números da violência corroboram minhas palavras", afirmou o general.
O ministro da Defesa, Raul Jungmann, também se mostrou contrário ao uso indiscriminado das Forças Armadas. O efetivo do Exército tem sido empregado em ações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), instrumento excepcional, localizado e por tempo limitado, conforme descreveu o ministro.
"Às Forças Armadas, cabe a defesa e a soberania do País e, somente com autorização do presidente da República, a pedido de um governador, podem atuar, excepcionalmente, por tempo determinado", explicou. Essa também é a condição que está expressa na legislação brasileira.
No entanto, as Forças Armadas foram acionadas 29 vezes, entre 2010 e 2017, para atuar na segurança pública de estados e do Distrito Federal. O caso mais recente foi no Rio Grande do Norte, quando o presidente Michel Temer autorizou o envio de 2 mil militares.
O motivo é a greve dos policiais e bombeiros, iniciada em 19 de dezembro do ano passado, e encerrada na quarta-feira da semana passada. Além disso, as Forças Armadas participaram de 15 operações integradas no Rio, no ano passado. As ações envolveram 31 mil militares e gastos de R$ 43 milhões. Segundo Jungmann, a operação de GLO no Rio é a mais longa desde a Constituição Federal de 1988.
Parte do motivo pelo qual as autoridades são contrárias ao emprego do Exército em situações tão corriqueiras é o simples fato de que o efetivo não está treinado para esse tipo de situação, como a atuação em manifestações populares.
"A tarefa do Exército não é essa, não tem nada a ver com segurança pública. Por isso mesmo, o próprio Exército e suas lideranças tem se manifestado contra essa banalização da utilização da força militar para tarefas de segurança pública", explica o sociólogo e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo.
Ele argumenta que, embora exista a previsão legal da GLO, o fato de o Exército ter sido convocado tantas vezes "denota uma incapacidade dos órgãos responsáveis pela segurança pública em darem conta da sua tarefa". Isso porque espera-se que a GLO seja utilizada em casos excepcionais, quando os estados realmente não conseguirem suprir a demanda - por exemplo, quando houver greve de policiais ou crises penitenciárias.
É exatamente por isso, justifica Azevedo, que foi criada a Força Nacional de Segurança (FNS), uma tentativa de reunir policiais que possam atuar em vários estados que se encontrem em situação de crise. No Rio Grande do Sul, um efetivo de 120 agentes da FNS está reforçando a segurança pública desde agosto de 2016. "Essa demanda para que o Exército entre em ação denota a falência da estrutura nacional. Falta um único sistema que integre tudo, a articulação federal, estadual e municipal. Esse sistema de hoje não está funcionando", explica.
O que diz a lei que regulamenta o emprego das Forças Armadas no BrasilA Lei Complementar nº 97, de junho de 1999, define as normais gerais para a organização, o preparo e o emprego das Forças Armadas.
No artigo 15, fica definido que o emprego das Forças Armadas na defesa da pátria e na garantia dos poderes constitucionais, da lei e da ordem, e na participação em operações de paz, é de responsabilidade do presidente da República.
Também fica definido que a atuação das Forças Armadas na garantia da lei e da ordem, por iniciativa de quaisquer dos poderes constitucionais, ocorrerá de acordo com as diretrizes baixadas em ato do presidente da República, após esgotados os instrumentos destinados à preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. Tais instrumentos serão considerados esgotados quando o chefe do Poder Executivo federal ou estadual os declarar indisponíveis, inexistentes ou insuficientes.
Por fim, fica também definido que as Forças Armadas serão empregadas "de forma episódica, em área previamente estabelecida e por tempo limitado".
Banalização do uso do Exército desestimula políticas estaduaisCom a intenção de apoiar políticas públicas que contribuam para a redução da violência letal e patrimonial, o Instituto Sou da Paz também vê com preocupação o excesso de participação militar na segurança pública. "Se banalizamos esse uso, toda vez que o pedido for aprovado, os governantes ficam desestimulados a resolver o problema.
Esses pedidos devem ser criteriosos, e a análise da concessão deve ser mais rigorosa ainda", opina o gerente de Sistemas de Justiça e Segurança Pública, Bruno Langeani. Ele também ressalta que a constante presença de militares nas ruas pode causar um desgaste de imagem das Forças Armadas junto à população. "É um tipo de solução que praticamente não tem nenhum vencedor, todo mundo perde."
No entanto, Langeani reconhece que os governos estaduais podem se ver obrigados a recorrer ao Exército em situações extremas, porque o recurso da FNS também possui limitações. "São operações muito caras, que retiram homens das polícias estaduais, e o uso desse emprego se dá a partir do pagamento de diárias. Além de extremamente custosa, é uma força que não é muito rápida", pondera. Os custos envolvendo operações da Força Nacional são do governo federal.
Para ambos, o pedido de Marchezan foi inconsequente e indevido. "Não cabe a ele e já estava havendo tratativas do Gabinete de Crise. Essa manifestação foi infeliz, houve uma utilização política para a ocupação de espaço de um prefeito que tem uma base eleitoral pautada por essa polarização política", afirma Azevedo. Para Langeani, o pedido demonstrou "leviandade" por parte do prefeito, uma vez que essa não era uma atribuição dele - algo que o próprio Marchezan reconheceu, mais tarde.
¹Suzy Scarton - Jornal do Commercio (ES)
DEFESANET/montedo.com

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Empresa recruta ex-militares e voluntários para missão de segurança na República Centro Africana

A empresa de segurança Aquila International está recrutando voluntários (militares da reserva e ex-legionários) para missão de segurança na República Centro Africana. Confira:



A Aquila é a primeira empresa militar de segurança privada do Brasil. Ela é presidida pelo general da reserva Roberto Escoto (foto) e seus serviços incluem assessoramento, treinamento e apoio operacional especializado a governos (forças armadas e polícias), embaixadas, organizações internacionais, organizações não governamentais e empresas multinacionais que atuam em ambientes operacionais com real ou potencial existência de instabilidade, crise ou conflito armado.
A empresa, que só atua no exterior, recruta seus combatentes - a quem chama de operadores - entre militares da reserva da Forças Armadas. com experiência em tropas de elite, como unidades de operações especiais, paraquedistas e outras. 

Informações e imagens:Aquila

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

General Villas Bôas destaca a importância dos militares para que o Brasil supere, em 2018, a 'crise moral que o assola'

A mensagem de fim de ano do comandante do Exército

General Eduardo Villas Bôas gravou pronunciamento em que destaca a importância dos militares para que o Brasil supere, em 2018, a 'crise moral que o assola'
O comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, durante audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, em Brasília (DF) - 22/06/2017
O comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, durante audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, em Brasília (DF) - 22/06/2017 (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
A página do Exército brasileiro no Facebook divulgou neste domingo uma mensagem de fim de ano do general Eduardo Villas Bôas, comandante das tropas. No pronunciamento, ele destaca as realizações da corporação em 2017 e ressalta a importância dos militares para que o Brasil supere no ano que vem “a crise moral que o assola”.
“Esse ano se está anunciando como um período de dificuldades materiais e políticas. Mais do que nunca, a coesão de nossa instituição será um fator primordial e contribuíra para que o Brasil supere a crise moral que o assola”, declarou o general. “Dentro de tal contexto, nosso Exército é um fator de estabilidade. Não nos afastaremos da trajetória retilínea de serviços à nação brasileira sempre alicerçados na hierarquia e na disciplina.”
Na mensagem, Villas Bôas também destacou o “sentimento de orgulho e missão cumprida” com o trabalho de seus comandados no ano que se encerra. O general citou as operações de garantia da lei e da ordem nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Amazônia, além do fim da missão de paz no Haiti e do patrulhamento da enorme fronteira do país.

Caso Mourão
Neste ano, o comandante do Exército teve trabalho com um de seus subordinados. Em setembro, o general Antonio Hamilton Mourão defendeu em uma palestra a possibilidade de uma intervenção militar caso a crise política no país não fosse solucionada. “Se não conseguirem, né, chegará a hora que nós teremos de impor uma solução”, afirmou na época. Dias depois, Villas Bôas minimizou a fala de Mourão, mas deixou claro que, “sem dúvida”, a continuidade da democracia é o caminho ideal para o Brasil: “Ditadura nunca é melhor”.

Fonte > Blog MAQUIAVEL/montedo.com